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As eleições municipais acabaram, mas a disputa sobre seu significado permanece. Fazer um balanço político dos resultados nacionais, estaduais e municipais é fundamental para a mobilização partidária. A retomada da organicidade do PT deve se dar pela política.
Lançamos o movimento “Coerência Petista” no plano estadual. Trata-se de uma iniciativa de militantes de diversas correntes ou independentes, que tem o objetivo de contribuir na qualificação do debate partidário em Minas Gerais na perspectiva, de resgatar o ideário socialista como norte para a definição de nossas táticas políticas e eleitorais e apresentando-se como alternativa para o PED.
Não queremos que ocorra em Minas e no Brasil, aquilo que se registrou em Belo Horizonte onde foi construída uma candidatura artificial, sem trajetória na vida política da cidade e sem nenhum histórico de diálogo com os movimentos sociais. E resultante, também, de um acordo de setores do PT com forças políticas que atuam diariamente para desestabilizar o governo Lula. Um equívoco político, resultado de métodos autoritários que chocam a trajetória do Partido dos Trabalhadores.
Apontamos desde já para a necessidade da militância rejeitar nas instâncias partidárias a aliança com o PSDB e o PPS (como se deu em BH já no 1º turno, acrescido do DEM no 2º turno), evitando acordos de cúpula e imposições posteriores ao Partido.
2010: APENAS UM PROJETO “PÓS-LULA” ou DEMOCRÁTICO E POPULAR COM LULA
Vivemos o tempo em que o neoliberalismo recebe sua enésima certidão de óbito. A crise financeira internacional expõe a resultante do livre mercado, na época da feroz competição oligopólica.
Nascido na década de 1970, o ideário neoliberal se apresentou ao mundo com o “fim da história”, ou seja, como ápice do processo civilizatório. A religião do mercado, o declínio das fronteiras nacionais, a desidratação do estado (metáfora de Tancredo Neves em 1984), a desregulamentação da economia etc: esse era o “teto” da história humana. Venderam a preço de banana empresas e riquezas nacionais para consórcios privados hegemonizados por bancos e conglomerados econômicos diversos.
“Desidrataram” o estado e implementaram o tal choque de gestão. Lula herdou essa situação, numa correlação de forças desfavorável, e a enfrenta com os meios disponíveis, num quadro de refluxo dos movimentos sociais. Agora, o mundo caminha para viver o confronto entre a continuidade e a descontinuidade do projeto neoliberal. É isso que está em disputa em 2010 no Brasil.
Tanto que o governador Aécio Neves decretou que Lula “já cumpriu seu papel”. Logo, em 2011, tratar-se-ia de realizar as reformas que Lula não fez. A trabalhista, a previdenciária e a política; além de se concluir a reforma gerencial do estado, tendo como exemplo o “choque de gestão em Minas”. Ou seja, retirar direitos previdenciários e trabalhistas, além desidratar ainda mais o estado. Tudo organizado sob a tese da “convergência” ou da Aliança. Isto é, fora dos partidos, de seus programas, de sua ideologia e de seus projetos. Um pacto, como em suas palavras, “acima dos interesses partidários e a favor das pessoas”. Como se as “pessoas” não se dividissem em classes sociais, em etnias, em gêneros, em graus de escolaridade, enfim, como se fosse possível nivelar a diversidade humana em torno de um abstrato interesse político geral. O chamado projeto pós-Lula pode ser assim resumido: é um esforço de reciclagem do neoliberalismo.
Temos opinião diversa. Queremos apresentar uma candidatura do PT, aprofundando o projeto democrático e popular e unificando a base aliada do governo Lula.
Como seria possível “convergir” tucanos e petistas para um projeto comum em Minas e no Brasil?
Só abdicando de nossa coerência política e de nossa história.
Minas Gerais: na trilha do projeto democrático e popular
Minas Gerais demanda um projeto alternativo, democrático e popular. E de oposição ao governo Aécio Neves. Aqui não se respira liberdade. Em todos os poderes estaduais, suas cúpulas estão comprometidas com o projeto “Aécio Presidente”. Entidades empresariais, veículos de imprensa, a maioria dos partidos políticos, enfim, várias esferas de representação e expressão social estão sob controle da máquina de propaganda pessoal do governador.
Na economia Minas cresce porque o Brasil cresce. Exemplo: nada de novo foi realizado em termos de agregação de valor às commodities aqui extraídas (minério) ou produzidas (grãos). Prevalece um projeto econômico estruturado sobre bases socioambientais insustentáveis.
É preciso concentrar esforços em um projeto alternativo, orientado para o fortalecimento das demandas históricas e imediatas do mundo do trabalho, na agricultura familiar, nos micro, pequenos e médios empreendimentos, nas políticas sociais do governo Lula, que viabilize uma infra-estrutura ambientalmente sustentável. Isso caracteriza o projeto alternativo, de esquerda, para Minas.
Enfim, o PT construirá um projeto alternativo e de oposição ao de Aécio Neves, ou proporá apenas dar continuidade à gestão tucana? É preciso que as intenções sejam reveladas já!
Construir a unidade da base do governo Lula em Minas
O ponto de partida para a acumulação de forças do PT para o próximo período é resgatar nossos vínculos com os movimentos sociais mais combativos. Outro passo é a determinação de investirmos na construção de uma unidade política e programática com os principais partidos da base do governo Lula: notadamente o PC do B e o PMDB. Aceitar o jogo divisionista do governador Aécio é um erro fatal.
PT: reconstruir a unidade partidária, com discussão e regras claras na disputa política
A reconstrução da unidade partidária deve ser um dos objetivos centrais a ser perseguido no próximo período. Para tanto, as direções devem agir de forma a criar os espaços de debates, hoje inexistentes na vida partidária.
Sobre a política de filiações, alertamos para o fato de que no passado esta era feita para aprofundar a nossa capilaridade social, ou seja, tinha um direcionamento externo. Hoje, boa parte das filiações serve apenas à disputa interna. É isso que ocorreu com milhares de filiações em BH no período eleitoral. Isso divide, desagrega e dilacera o tecido partidário.
Ameaças, pressões, exonerações de cargos em governos só agravam as relações internas. Primeiro, porque não têm sequer o efeito de intimidar e geram legítimas reações. Segundo, revelam uma postura tradicional, patrimonialista e conservadora, no trato de divergências internas ao Partido.
A unidade partidária passa pelo respeito às deliberações nacionais, resultantes do III Congresso e das deliberações do DN. Passa pelo resgate do PT como dispositivo partidário do mundo do trabalho, que se contrapõe ao neoliberalismo tucano e privilegia as relações com os aliados históricos e com a base de sustentação do governo Lula.
Conclamamos a militância que se identificar com estas propostas a unirmos esforços no sentido de resgatar a melhor tradição petista e enfrentar os desafios do pós-neoliberalismo, com um claro projeto democrático e popular.